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​Acadêmico da UFSM desenvolve embalagem sustentável que aumenta vida útil de produtos

​Acadêmico da UFSM desenvolve embalagem sustentável que aumenta vida útil de produtos

23/02/2018 07:47
Classificada em: Geral

Bolsista de pós-doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o acadêmico da UFSM André Luiz Missio, teve um artigo publicado na revista Journal of Cleaner Production, que é um periódico multidisciplinar com foco em produção limpa, meio ambiente e sustentabilidade. Intitulado Nanocellulose-Tannin Films: From Trees to Sustainable Active Packaging ("filmes de nanocelulose e tanino: das árvores a embalagens ativas sustentáveis"), o trabalho em questão pode ser visualizado aqui. A pesquisa foi elaborada de 2014 a 2017, período em que o autor realizou o seu doutorado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal da UFSM, em parceria com a Salzburg University of Applied Sciences, da Áustria.

Tendo em vista o elevado nível de poluição causado pelo descarte de embalagens plásticas, que demoram anos para se degradar no meio ambiente, os pesquisadores tiveram como objetivo a elaboração de uma embalagem sustentável com a utilização de uma matéria-prima retirada de plantios de reflorestamento e usado na fabricação de papel. Missio e o restante da equipe de pesquisadores desenvolveram então uma embalagem 100% natural com nanocelulose (rede de celulose em escala nanométrica).

Os pesquisadores também tiveram a ideia de tornar essa embalagem ativa. Ou seja, diferentemente das embalagens convencionais (que visam apenas a fornecer ao produto uma barreira contra sujeira, líquidos e gases), a embalagem desenvolvida por eles teria que possuir elementos químicos que melhorassem o produto a ser embalado ou aumentassem a sua vida útil. Isso foi obtido por meio da utilização de outro componente retirado de árvores, mais especificamente da casca de acácia-negra: o tanino.

A união da nanocelulose e do tanino formou uma embalagem ativa, com potencial para embalagens de alimentos e fármacos, devido às propriedades antioxidante, antimicrobiana e também à proteção ultravioleta. Em contato com a água, essa embalagem libera substâncias que poderiam aumentar a vida útil de um produto exposto em uma prateleira de supermercado.

A pesquisa teve financiamento da Capes, através do projeto Pesquisador Visitante Especial, que viabilizou a participação do professor Gianluca Tondi, da Salzburg University of Applied Sciences. Especialista na química de taninos, ele foi orientador de André Luiz Missio no período de seu doutorado-sanduíche no exterior.

Orientada pelo professor Darci Alberto Gatto, da Pós em Engenharia Florestal da UFSM, a pesquisa contou com a colaboração do professor Daniel Bertuol, do Departamento de Engenharia Química da UFSM, dos pesquisadores Bruno Dufau Mattos e Washington Magalhães, da Embrapa Florestas, da pesquisadora Daniele Ferreira, doutoranda em Ciência e Tecnologia dos Alimentos pela UFSM, e dos professores Alexander Petutschnigg e Gianluca Tondi, ambos da Salzburg University of Applied Sciences.