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UFSM e forças policiais lideram projeto de atenção a filhos de apenadas

UFSM e forças policiais lideram projeto de atenção a filhos de apenadas

13/11/2017 10:01
Classificada em: Geral

Um encontro cercado por expectativa e emoção. São risos, lágrimas e uma corrida para os abraços entre mães e filhos no Centro de Convivência e Treinamento da Polícia Federal, em Santa Maria. A ocasião especial para essas famílias, separadas pelas condenações das mães, que cumprem pena no Presídio Municipal, teve uma nova edição na última sexta-feira (10). Há dois anos, o projeto Inspira, liderado pela UFSM em conjunto com a Polícia Federal e Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe), organiza ações educativas, pedagógicas, de atendimento psicossocial e de saúde para acompanhar as crianças e manter o vínculo com suas mães.

“As crianças são as grandes vítimas dessa situação. É um projeto de cunho humanista, que trabalha para que essas crianças, em extrema vulnerabilidade, possam ter perspectiva: logo serão jovens, que precisam continuar o seu percurso, e quem sabe ter uma saída diferente das ofertas que as suas mães tiveram”, relata a pró-reitora de Extensão da UFSM, Terezinha Weiller.

Por meio de ações articuladas junto à Pró-Reitoria de Extensão (PRE), acadêmicos dos cursos de Dança, Pedagogia, Educação Especial e Odontologia, e a equipe da Residência Multiprofissional em Saúde do HUSM acompanham as crianças com atendimento especializado, e proporcionam uma série de atividades durante os encontros com as mães, com brincadeiras, apresentações artísticas e interatividade. Além dos encontros, realizados duas vezes ao ano, e também com festa de Natal, a UFSM presta acompanhamento escolar e de saúde às crianças, junto às famílias substitutas.

Para o delegado da Polícia Federal, Getúlio Jorge Vargas, o projeto Inspira é uma demonstração de como a sociedade pode unir forças para enfrentar uma situação que afeta a todos, e que somente com muito trabalho pode ser transformada. “Nós, das entidades públicas e de formação de opinião, somos uma elite, mas não no sentido pejorativo do termo, uma elite no potencial de transformação social. Temos a responsabilidade de liderar mudanças com o nosso trabalho. É exatamente o que conseguimos fazer com o projeto Inspira, que é totalmente voluntário por parte dos servidores públicos, que acreditam na possibilidade de dar uma nova perspectiva para essas crianças”, avalia o delegado.

Durante todo o dia, crianças de 1 a 14 anos estiveram junto com suas mães, participando de brincadeiras, conversando, algumas apenas abraçadas e envolvidas no carinho que não é rotineiro. Uma das detentas, condenada a mais de 30 anos por estelionato, já cumpriu 8 anos de pena, desde que o filho tinha apenas 2 anos. Outra das mães, reclusa há dez meses por tráfico de drogas, não conseguia parar de sorrir e chorar abraçada aos quatro filhos, a menor também com 2 anos de idade.

Muitas delas afirmam que preferem encontrar as crianças apenas durante as atividades do Inspira, para que os filhos não conheçam o ambiente do Presídio. "O projeto mostra sempre as nossas limitações diante de um conjunto de situações extremamente difíceis, mas se pudermos contribuir para uma vida, já é importante”, declara a pró-reitora Terezinha Weiller.

A realização do projeto é viabilizada pela Vara de Execuções Criminais (VEC), que autoriza a saída temporária das detentas, e tem apoio da Brigada Militar, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal, Exército, Receita Federal e Prefeitura de Santa Maria.

Texto: Carine Prevedello

Fotos: Melissa Konzen, acadêmica de Jornalista e bolsista da Agência de Notícias